Inteligência emocional: aprender a sentir, escolher e estabelecer limites em 6 passos.
Compreender o que sentimos, criar espaço antes de reagir e aprender a proteger o nosso espaço
Há uma ideia que pode parecer simples, mas que muda muito a forma como nos relacionamos connosco e com os outros:
não podemos escolher tudo o que sentimos. Mas podemos aprender a escolher o que fazemos com aquilo que sentimos.
E talvez seja aqui que começa a inteligência emocional.
Há algo que temos de fazer antes de tentar explicar e entender as nossas emoções.
Primeiro, precisamos de aprender a reconhecê-las!

1. Começar pelas emoções
Sentir não é o problema.
O problema pode surgir quando não compreendemos aquilo que estamos a sentir, ou quando reagimos automaticamente sem perceber o que está por trás da nossa reação.
Estou irritada.
Estou triste.
Estou frustrada.
Estou ansiosa.
Estou cansada.
Conseguir parar e dar um nome ao que sentimos já é um primeiro passo.
Porque uma emoção traz informação.
Pode dizer-nos que alguma coisa nos incomodou, que uma necessidade não está a ser atendida, que ultrapassámos um limite ou que determinada situação está a exigir mais de nós do que conseguimos dar naquele momento.
Mas há uma distinção importante:
uma emoção é um sinal. Não é uma ordem.
Sentir raiva não significa que temos de atacar.
Sentir medo não significa que temos de fugir.
Sentir frustração não significa que temos de desistir.
A emoção informa.
Depois, podemos escolher.
2. Processar em vez de acumular
Reconhecer uma emoção é apenas o primeiro passo.
Também precisamos de aprender a perceber o que fazemos com ela.
Podemos parar.
Observar.
Dar nome ao que estamos a sentir.
Perguntar o que desencadeou aquela emoção.
Perceber se estamos cansadas, sobrecarregadas, magoadas ou simplesmente a reagir a alguma coisa que tocou num ponto sensível.
E, sobretudo, podemos aprender a não reagir imediatamente.
Nem sempre precisamos de responder no momento em que sentimos.
Às vezes precisamos de algum espaço para perceber o que realmente queremos dizer ou fazer.
Isso também é inteligência emocional.
Não significa deixar de sentir.
Significa não deixar que cada emoção decida por nós.
3. Criar espaço entre o acontecimento e a resposta
É aqui que práticas como o mindfulness podem ter um papel interessante.
Não precisamos de transformar a atenção plena numa prática complicada.
Pode começar simplesmente por parar.
Observar a respiração.
Sentir o corpo.
Perceber os pensamentos sem nos agarrarmos imediatamente a eles.
Reconhecer o que estamos a sentir sem reagir.
Porque entre aquilo que acontece e aquilo que fazemos com o que acontece existe um espaço.
E é nesse espaço que podemos escolher.
Às vezes, esse pequeno espaço muda tudo.
Pode ser a diferença entre responder e reagir.
Entre dizer aquilo que realmente queremos dizer e dizer aquilo de que nos vamos arrepender cinco minutos depois.
Entre agir por impulso e agir de acordo com aquilo que realmente queremos.
4. E é aqui que entram os limites
Muitas vezes sabemos que alguma coisa nos incomoda.
Sabemos que estamos cansadas.
Sabemos que já demos mais do que conseguimos.
Sabemos que determinada situação não nos faz bem.
Mas reconhecer isso internamente nem sempre significa que conseguimos agir de acordo com essa perceção.
É aqui que inteligência emocional e limites se encontram.
Um limite começa muitas vezes por uma perceção:
“Isto não me faz bem.”
“Isto já não consigo dar.”
“Isto não quero.”
Antes de conseguirmos dizer não aos outros, precisamos muitas vezes de conseguir ouvir o nosso próprio não.
5. Dizer não sem agressividade
Um limite não é uma agressão.
É uma fronteira.
Podemos dizer não sem atacar.
Podemos discordar sem desrespeitar.
Podemos proteger o nosso espaço sem tentar controlar o espaço do outro.
Podemos comunicar aquilo que conseguimos fazer e aquilo que não conseguimos.
E, sobretudo, não precisamos de transformar cada limite numa longa justificação.
Um limite não precisa de ser uma guerra.
Pode ser simplesmente uma informação clara:
Isto posso.
Isto não posso.
Isto quero.
Isto não quero.
Isto aceito.
Isto já não aceito.
Aprender a comunicar isto com clareza também é inteligência emocional.
6. E porque é que dizer não pode ser tão difícil?
Porque muitas mulheres aprenderam durante grande parte da vida a cuidar, corresponder, resolver, estar disponíveis e não desiludir.
E, por vezes, o “sim” torna-se automático.
Até percebermos que estamos a dizer sim aos outros e, demasiadas vezes, não a nós próprias.
É também por isso que estabelecer limites pode trazer culpa.
Mas sentir culpa não significa necessariamente que estamos a fazer alguma coisa errada.
Às vezes significa apenas que estamos a fazer alguma coisa diferente daquilo a que nos habituámos.
Não precisamos de deixar de cuidar dos outros.
Precisamos de aprender a incluir-nos nesse cuidado.
Na prática: começa por treinar
Não precisas de mudar a tua forma de estar de um dia para o outro.
Podes começar com pequenas práticas.
1. Nomeia o que estás a sentir.Antes de reagires, pergunta: “O que estou realmente a sentir?”
2. Cria um intervalo.Quando estiveres emocionalmente ativada, não respondas imediatamente. Respira, afasta-te durante alguns minutos ou simplesmente dá tempo à situação.
3. Procura a resposta possível.Em vez de ficares apenas em “isto está a correr mal”, pergunta: “O que pode dar certo daqui para a frente?”
4. Experimenta um pequeno limite.Começa por uma situação simples e pratica um “não”, sem agressividade e sem uma longa justificação.
5. Observa a culpa sem obedecer automaticamente a ela.Sentir culpa não significa necessariamente estar a fazer algo errado.
6. Usa o mindfulness como treino de presença.Alguns minutos de atenção à respiração, ao corpo ou ao momento presente podem ajudar a treinar a capacidade de observar antes de reagir.
No final do dia, pergunta-te:Onde consegui responder em vez de reagir?
Onde respeitei um limite meu?O que correu melhor do que esperava?
Porque inteligência emocional não é deixar de sentir.
E estabelecer limites não é afastarmo-nos de toda a gente.
É aprender a compreender melhor aquilo que sentimos, criar espaço para escolher e comunicar com mais clareza aquilo de que precisamos.
No fundo, é aprender uma coisa muito importante:
podemos cuidar dos outros sem deixarmos de cuidar de nós.
E talvez seja esse um dos trabalhos mais importantes desta fase da vida:
não sermos mais fortes para aguentar tudo.
Mas tornarmo-nos mais conscientes para escolher melhor.
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