Proteger a nossa energia também é saúde...
O que está sob o nosso controlo, o que não está e como aprender a escolher melhor onde colocamos a nossa energia.
Há uma pergunta que vale a pena fazer com mais frequência:
Isto está sob o meu controlo?
Parece simples.
Na prática, pode mudar muita coisa.
Porque passamos uma quantidade enorme de tempo a pensar no que os outros fazem, dizem ou pensam. A tentar antecipar acontecimentos. A repetir conversas na nossa cabeça. A tentar prever o que pode acontecer.
E, sem percebermos, vamos gastando energia em coisas sobre as quais temos muito pouco ou nenhum poder de decisão.
A verdade é que não controlamos tudo o que acontece.
Mas podemos aprender a distinguir melhor aquilo que está nas nossas mãos daquilo que não está.

O que está sob o nosso controlo?
Não controlamos o comportamento dos outros.
Não controlamos aquilo que pensam de nós.
Não controlamos todas as circunstâncias.
Não controlamos o que já aconteceu...
Mas podemos escolher onde colocamos a nossa atenção.
Podemos decidir como respondemos.
Podemos escolher quando vale a pena agir.
E podemos decidir onde vale a pena gastar a nossa energia.
Quando alguma coisa nos está a consumir, talvez valha a pena perguntar:
O que posso realmente fazer em relação a isto?
Se existe alguma coisa que podemos fazer, agimos.
Se não existe, talvez seja altura de deixar de gastar energia a tentar controlar o que não podemos mudar.
Não significa desistir.
Significa distinguir ação de preocupação.
E onde estamos a gastar a nossa energia?
Esta é outra pergunta importante.
Porque nem tudo aquilo a que damos atenção merece a mesma quantidade de energia.
Há situações que exigem ação.
Outras exigem paciência.
Outras simplesmente precisam de tempo.
E há preocupações que se repetem dentro da nossa cabeça sem nos aproximarem de solução nenhuma.
Passamos horas a antecipar conversas, a imaginar cenários, a pensar no que deveríamos ter dito ou feito.
E tudo isso também consome energia.
Por isso, proteger a nossa energia não significa fugir do que é difícil.
Significa aprender a perceber onde a nossa energia está realmente a produzir alguma coisa — e onde está apenas a ser desperdiçada.
E depois existe a frustração...
Nem sempre conseguimos aquilo que queremos.
Nem sempre as coisas acontecem como planeámos.
Nem sempre as pessoas respondem como gostaríamos.
A frustração faz parte da vida.
O problema não é senti-la.
É ficarmos presas nela.
Quando alguma coisa não corre como esperávamos, podemos parar e perguntar:
O que posso aprender com isto?
O que posso fazer de diferente?
Preciso de mudar de estratégia?
Ou preciso simplesmente de aceitar que esta situação não depende de mim?
Aprender a lidar com a frustração não significa aceitar tudo passivamente.
Significa conseguir olhar para o que aconteceu e encontrar uma forma de seguir em frente sem gastar energia indefinidamente naquilo que já aconteceu.
Às vezes, a solução não está em insistir mais.
Está em ajustar a rota.
Proteger a energia vital
Esta questão torna-se particularmente importante à medida que avançamos na vida.
Para muitas mulheres depois dos 40, alterações no sono, no stress, nas hormonas e na capacidade de recuperação podem fazer com que a margem disponível não seja exatamente a mesma de alguns anos antes.
Isto não significa que sejamos menos capazes.
Significa que talvez tenhamos de aprender a utilizar os nossos recursos de forma mais inteligente.
Durante muito tempo, confundimos força com capacidade de aguentar.
Aguentar mais.
Fazer mais.
Resolver mais...
Hoje podemos fazer uma pergunta diferente:
Preciso mesmo de gastar energia nisto?
Porque proteger a nossa energia também é saúde.
É perceber o que merece a nossa atenção.
É escolher onde agir.
É aceitar aquilo que não podemos mudar.
É aprender com a frustração sem ficar a viver dentro dela.
E é criar espaço para aquilo que realmente nos alimenta e nos ajuda a recuperar.
Não se trata de fazer menos por toda a gente.
Trata-se de deixar de gastar tudo à custa de nós próprias.
Na prática: começa por observar
Não precisas de mudar a tua vida inteira.
Experimenta começar por estas perguntas:
1. Isto está sob o meu controlo?Se sim, qual é a ação concreta que posso tomar? Se não, o que posso escolher controlar na minha resposta?
2. Onde estou a gastar energia sem necessidade?Identifica uma preocupação, situação ou tarefa que está a ocupar demasiado espaço sem produzir uma solução.
3. O que me está a frustrar?Em vez de ficares apenas na frustração, pergunta: o que posso aprender, mudar ou aceitar?
4. Onde vale a pena colocar a minha energia?Pensa nas pessoas, atividades e áreas da tua vida que realmente merecem a tua atenção.
5. O que me ajuda a recuperar?Sono, movimento, alimentação, natureza, silêncio, criatividade, relações, tempo sem estímulos. Percebe o que funciona para ti e protege esse espaço.
6. No final do dia, pergunta:Onde gastei a minha energia hoje? E onde gostaria de a ter colocado?
Experimenta!
Não para te julgares.
Para começares a escolher.
Porque proteger a nossa energia não é controlar tudo.
É aprender a distinguir o que merece a nossa energia daquilo que não merece.
E essa também é uma forma de cuidar de nós.
Até à próxima semana!
Sempre, no Ritmo certo!



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