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10 sintomas de Perimenopausa

Começas a notar algumas mudanças no teu ciclo menstrual.

Não consegues dormir.

 Por vezes o teu coração começa a acelerar de forma aleatória, sem motivo aparente.

Ganhaste alguma gordura na zona abdominal, mesmo sem teres mudado nada na alimentação.

Sentes comichão nos ouvidos frequentemente e sem razão aparente.

 No trabalho, tudo parece exigir muito mais esforço do que antes.

Queres concentrar-te e simplesmente não consegues.

 Por vezes, sentes-te como uma pessoa diferente.

Ansiosa, com a cabeça nublada e irritada. Tens dias que não te reconheces em ti.


Então vais a diversos especialistas de saúde clínica, mas nenhum deles, nem um sequer, te diz a palavra que explica tudo isto.


Perimenopausa!


A perimenopausa é uma das transições mais frequentemente ignoradas e mal compreendidas que vejo nas mulheres. É importante explicar que a perimenopausa tem duas fases: a fase inicial e a fase tardia, e compreender ambas ajudar-te-á a dar sentido aos sintomas.


A Sociedade da Menopausa utiliza um sistema de classificação chamado STRAW (Stages of Reproductive Aging Workshop) para definir estas duas fases.


A perimenopausa inicial começa quando o teu ciclo menstrual começa a variar em sete dias ou mais em relação ao que é normal para ti, e isto acontece mais do que uma vez. Por isso, se o teu período costumava ser de 28 dias e agora passa a vir a cada 21 dias ou 35 dias, e isso continua a acontecer, esse é o primeiro sinal. Uma alteração isolada pode não significar nada, mas quando o padrão se repete, o teu corpo está a dizer-te algo.


O estrogénio ainda não está a diminuir, na verdade está a oscilar para cima e para baixo de forma imprevisível. São essas oscilações que causam muitos dos sintomas iniciais.


A perimenopausa tardia começa quando começas a saltar períodos por completo, com intervalos de 60 dias ou mais. O estrogénio passa agora a diminuir de forma mais constante e os sintomas tendem a intensificar-se.


Esta fase termina quando passas 12 meses completos sem menstruar, e nesse momento atinges a menopausa.


Vamos aos 10 Sintomas de Perimenopausa:


Um: a maioria das mulheres assume que a perimenopausa significa menstruações mais leves.


Na verdade, na perimenopausa inicial, muitas vezes acontece o contrário.

Lembra-te: na fase inicial da perimenopausa, o estrogénio ainda não está a diminuir — está a oscilar de forma imprevisível, subindo e descendo. Quando aumenta, estimula o crescimento do revestimento interno do útero. Um revestimento mais espesso significa um sangramento mais intenso quando a menstruação acontece. Por isso, algumas mulheres ficam surpreendidas ao perceber que as suas menstruações ficam mais abundantes antes de começarem a ficar mais leves.


Dois: sensibilidade mamária.


Quando o estrogénio tem picos, ele estimula diretamente o tecido mamário, causando inchaço, sensibilidade e aquela sensação de dor profunda ou peso que muitas mulheres descrevem. Pode parecer semelhante ao que se sente antes da menstruação, mas pode durar mais tempo ou acontecer em momentos diferentes do ciclo a que estás habituada. Este é um sintoma precoce da perimenopausa. O estrogénio ainda não está baixo — está alto e irregular, e o tecido mamário reage a essas oscilações.


Três: afrontamentos e suores noturnos.


Este é o sintoma que a maioria das pessoas associa à menopausa, mas muitas vezes começa durante a perimenopausa, por vezes anos antes da última menstruação.

Um afrontamento é uma onda súbita de calor intenso que normalmente começa no peito e sobe para o pescoço e rosto. Pode vir acompanhado de suor e, por vezes, de aceleração do coração. A maioria dos afrontamentos dura entre um e cinco minutos.


O que está realmente a acontecer? O estrogénio tem um efeito direto no hipotálamo, a parte do cérebro que controla a temperatura corporal. Quando os níveis de estrogénio começam a oscilar, o hipotálamo torna-se hipersensível. Ele deteta até a menor variação de temperatura e reage desencadeando uma libertação súbita de calor através da pele. Isto é o afrontamento.

À noite, algo semelhante acontece. Enquanto dormes, a temperatura corporal desce ligeiramente de forma natural.

Na perimenopausa, essa pequena variação pode ser suficiente para ativar o hipotálamo. Acordas suada e, quando o suor evapora, sentes frio e começas a tremer. Isto são os suores noturnos.


Os afrontamentos e suores noturnos podem começar na perimenopausa inicial, mas tendem a piorar na fase tardia, à medida que o estrogénio diminui de forma mais significativa.


Sinal 4 : Dores nas articulações e ombro “congelado”.


 Isto surpreende muitas mulheres.

O estrogénio tem um forte efeito anti-inflamatório nas articulações. Quando começa a oscilar e a diminuir, essa proteção desaparece. As articulações do corpo inteiro — joelhos, ancas, mãos, pulsos e até a coluna — podem ficar rígidas e doloridas. Muitas mulheres pensam que é artrite, e por vezes é, mas muitas vezes as hormonas têm um papel importante no quadro.

O ombro congelado é muito mais comum em mulheres na perimenopausa e menopausa do que a maioria das pessoas imagina. O termo médico para ombro congelado é capsulite adesiva.

 O tecido conjuntivo dentro da articulação do ombro tem recetores de estrogénio. Quando o estrogénio diminui, esse tecido torna-se menos flexível e mais propenso a inflamação e cicatrização.

Muitas mulheres atribuem isto a algo pesado que levantaram ou a um movimento súbito, mas o que tornou o ombro tão vulnerável foi, na verdade, a alteração hormonal.

Estudos mostram repetidamente que, após iniciar terapia hormonal, as dores articulares melhoram e, por vezes, desaparecem completamente.


Cinco: palpitações cardíacas.


 Este é um sintoma que, por vezes, leva mulheres às urgências. E é fácil perceber porquê.

Estás sentada ou relaxada, sem fazer nada, e de repente o teu coração começa a acelerar ou a “saltar” no peito. Pode ser bastante assustador.

Mas o baixo estrogénio é uma das causas menos reconhecidas de palpitações em mulheres entre os 40 e os 50 anos.

Aqui está a explicação científica, de forma simples: o teu coração tem um “pacemaker” natural chamado nódulo sino auricular (ou nó SA). É um pequeno grupo de células que envia sinais elétricos que dizem ao coração quando bater.

Existem recetores de estrogénio nesse “nó SA”. O estrogénio ajuda a manter este sistema elétrico estável e regular. Quando o estrogénio oscila e diminui, essa estabilidade é perturbada. O resultado pode ser um coração acelerado, sensação de “turbilhão” ou a sensação de que o coração falhou uma batida.

Atenção- isto é muito importante: se tiveres palpitações, deves consultar um médico. Um problema cardíaco precisa sempre de ser excluído primeiro.

Mas se o teu coração já foi avaliado e está tudo normal, e os teus exames também estão normais, então a deficiência de estrogénio pode ser a explicação que ninguém ainda te deu.


Seis : alterações de peso e gordura abdominal.


O estrogénio desempenha um papel direto na forma como o corpo armazena gordura. Quando o estrogénio está em níveis normais, a gordura tende a acumular-se nas ancas e nas coxas. Quando o estrogénio diminui, a gordura começa a deslocar-se para a zona abdominal.

Muitas mulheres dizem-me: “Não mudei nada. Como o mesmo, faço o mesmo exercício, mas o tamanho das calças continua a aumentar.” E estão a dizer a verdade. Não é uma questão de força de vontade nem de hábitos.

O estrogénio também ajuda o corpo a utilizar a insulina de forma adequada. Quando o estrogénio diminui, o corpo torna-se mais resistente à insulina, o que significa que não processa o açúcar tão bem, e uma maior parte acaba por ser armazenada como gordura na zona da barriga.


Sete: insónia.


Os problemas de sono na perimenopausa vão muito além de simplesmente acordar devido a suores noturnos ou palpitações, embora isso também contribua para piorar a situação.

A progesterona tem um efeito naturalmente calmante no cérebro e ajuda a promover o sono. À medida que a progesterona diminui, esse efeito calmante desaparece.

O estrogénio também influencia a qualidade do sono. Quando ambas as hormonas se tornam instáveis, adormecer e manter o sono torna-se realmente difícil.

Podes dar por ti acordada às 3 da manhã sem razão aparente. Ou podes adormecer normalmente, mas acordar várias vezes durante a noite.

E o sono de má qualidade piora tudo o resto: o humor, a energia, o aumento de peso, as dores nas articulações e a capacidade de concentração e clareza mental.


Oito : secura em todo o corpo.


Existem recetores de estrogénio em todo o organismo, e quando o estrogénio diminui, a secura pode surgir em vários locais.

A pele torna-se seca e com comichão. Os olhos podem ficar secos e irritados. Algumas mulheres notam secura nasal.

E um sintoma raramente falado é a comichão nos ouvidos. Já tive pacientes que passaram meses a consultar especialistas por aquilo que pensavam ser um problema de ouvido ou alergias, quando na verdade era perda de estrogénio.

A secura e o afinamento dos tecidos vaginais e genitais também afeta a bexiga e a uretra, levando a urgência urinária, aumento da frequência urinária e, por vezes, infeções urinárias recorrentes.


Nove : alterações de humor.


O estrogénio afeta a serotonina, a dopamina e o GABA — os químicos cerebrais que regulam o humor, a calma e a estabilidade emocional. Quando o estrogénio se torna instável, esses sistemas também se tornam instáveis.

Podes sentir ansiedade de formas que nunca tinhas sentido antes, irritabilidade, sensação de sobrecarga fácil ou um humor mais baixo sem uma razão clara.

E, não surpreendentemente, as alterações de humor não afetam apenas a mulher que está a passar pela perimenopausa. Afetam também as pessoas à sua volta.


Dez : nevoeiro cerebral, problemas de memória .


O estrogénio apoia o cérebro de várias formas importantes. Promove o fluxo sanguíneo cerebral, apoia as vias de memória e ajuda na concentração e na velocidade de processamento.

Quando o estrogénio se torna instável, isso sente-se cognitivamente.

Estás no meio de uma conversa e o teu pensamento simplesmente desaparece. Sentas-te ao computador e, quando ele abre, já não fazes ideia do que foste fazer. Começas uma tarefa, distrais-te, começas outra e acabas por não terminar nenhuma.


Antes eras mais rápida e eficiente. Agora estás a trabalhar duas vezes mais só para conseguires acompanhar.


Isto não é demência precoce. Isto é o que acontece quando o estrogénio — uma hormona de que o cérebro depende há décadas — começa a oscilar.


Para mulheres com TDAH ou Autismo, esta fase pode ser particularmente difícil. O estrogénio ajuda o cérebro a manter o foco e a organização. Quando começa a flutuar, tudo o que já era um pouco mais difícil torna-se significativamente mais difícil, mesmo que  estivesse bem controlado.


Então o que é que se deve testar?

Muitas mulheres ficam confusas em relação à FSH. Fazem o exame, e o resultado vem normal e o médico diz que não estão na perimenopausa.  Mas podem estar!

A FSH (hormona folículo-estimulante) é produzida pela glândula pituitária no cérebro e diz aos ovários para funcionarem. À medida que os ovários envelhecem, a FSH tende a subir.

Portanto, sim — uma FSH alta pode apoiar o diagnóstico de perimenopausa. Mas uma FSH normal não a exclui.


Durante esta transição, a FSH oscila muito. Pode estar alta numa semana e normal duas semanas depois na mesma mulher. Um resultado normal isolado não significa que não estamos perante perimenopausa.


A perimenopausa é um diagnóstico clínico. Ou seja, baseia-se nos sintomas e na história do ciclo menstrual, não num único exame de sangue.


A exceção são mulheres que não podem usar o ciclo como referência: se tiveres feito uma histerectomia, uma ablação do endométrio ou estiveres a tomar contraceção hormonal, nesses casos o histórico menstrual não é fiável e os exames tornam-se mais importantes.


Também é importante não assumir automaticamente que todos os sintomas são perimenopausa. Outras condições podem causar queixas semelhantes e são tratáveis.


Se o principal sintoma for suor excessivo, por exemplo, é importante avaliar a tiroide e outras causas hormonais. Se forem palpitações, deve primeiro excluir-se uma causa cardíaca. Se forem ciclos irregulares, podem ser avaliadas a prolactina e tiroide, entre outros.


Depois de excluir outras causas e confirmar que estamos perante perimenopausa, existem várias opções de tratamento.


Algumas mulheres melhoram apenas com progesterona à noite, especialmente na fase inicial. Outras precisam de estrogénio adicional, muitas vezes em adesivo ou gel, que é geralmente preferido em relação à forma oral.


Consulta um técnico de saúde especialista em saúde feminina investe no teu maior tesouro: a tua saúde!!


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Até à próxima.

 
 
 

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