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THS: 8 perguntas para levares contigo para a consulta


Compreender. Questionar. Participar. Decidir.


Durante muito tempo, falar de menopausa parecia significar escolher entre dois extremos.

Ou se dizia às mulheres para “aguentarem”, porque era simplesmente uma fase da vida.

Ou surgia uma nova resposta aparentemente capaz de resolver tudo: a Terapia Hormonal de Substituição.


Mas o corpo feminino raramente cabe em respostas tão simples.


E talvez seja precisamente por isso que precisamos de mudar a pergunta.

Em vez de perguntarmos apenas:

“Devo ou não devo fazer THS?”

podemos começar por perguntar:

“O que está realmente a acontecer comigo? Quais são as minhas opções? E o que faz sentido para mim?”



É esta mudança de perspetiva que está na base do artigo de hoje e no episódio 5 do PODCAST RITMO, no próximo sábado, dia 5 de setembro.


Não estamos aqui para defender a THS.

Nem para a rejeitar.


Estamos aqui para compreender melhor uma das possibilidades terapêuticas que pode fazer parte da conversa sobre perimenopausa e menopausa — sabendo que pode ser muito útil para algumas mulheres, inadequada para outras e que, em muitas situações, a decisão precisa de ser construída ao longo do tempo.



As principais sociedades científicas de referência defendem precisamente esta abordagem individualizada: os benefícios e riscos devem ser avaliados tendo em conta os sintomas, a idade, o momento da transição para a menopausa, a história clínica, os fatores de risco, as preferências da mulher e o tipo de tratamento considerado.

Por isso, hoje não te trago uma resposta.

Trago-te oito perguntas!!


Perguntas que podem transformar uma consulta de “o que é que eu faço?” numa verdadeira conversa sobre a tua saúde.


1. Estou realmente na perimenopausa?

Parece uma pergunta simples, mas é uma das mais importantes.


A perimenopausa não é, na maioria das mulheres, diagnosticada através de um único valor laboratorial.

Durante esta fase, os níveis hormonais podem oscilar significativamente. Por isso, uma análise isolada não conta toda a história.


A avaliação pode considerar:

  • a idade;

  • alterações no ciclo menstrual;

  • sintomas;

  • história clínica;

  • contexto individual;

  • e, quando necessário, exames complementares para excluir outras causas.


Ou seja:

não é apenas uma análise. É o contexto.


E isto é particularmente importante porque muitas mulheres começam a procurar respostas quando os sintomas já estão a interferir significativamente com a sua qualidade de vida.


2. Os meus sintomas justificam discutir tratamento?

Esta pergunta muda completamente a conversa.


Porque a questão não é apenas:

“Tenho hormonas mais baixas?”


A questão é:

“O que está a acontecer comigo e quanto está isso a afetar a minha vida?”


A THS é uma das opções terapêuticas mais eficazes para sintomas vasomotores, como afrontamentos e suores noturnos, e pode também ter lugar na abordagem de outros sintomas e condições relacionadas com a menopausa.

Mas nem todas as mulheres têm os mesmos sintomas.

Nem a mesma intensidade.

Nem os mesmos riscos.

Nem as mesmas prioridades.

Uma mulher pode estar sobretudo incomodada com afrontamentos e sono.

Outra pode estar a lidar com sintomas genitais + urinários.

Outra pode estar preocupada com saúde óssea.

Outra pode simplesmente não sentir necessidade de qualquer tratamento hormonal.

A ausência de sintomas importantes também é informação.


3. A THS é adequada para mim?

Aqui entramos na parte que não pode ser generalizada através das redes sociais.


A THS pode ter uma relação benefício/risco favorável para muitas mulheres saudáveis, particularmente quando iniciada antes dos 60 anos ou dentro dos 10 anos após o início da menopausa, mas isso não significa que seja indicada para todas.


A decisão deve considerar, entre outras coisas:

  • antecedentes pessoais;

  • história familiar;

  • saúde cardiovascular;

  • risco trombótico;

  • antecedentes oncológicos;

  • doença hepática;

  • hemorragia vaginal inexplicada;

  • presença ou ausência de útero;

  • sintomas e objetivos do tratamento;

  • e preferências pessoais.


Existem situações em que a THS sistémica pode não ser apropriada ou exige uma avaliação particularmente cuidadosa.


É por isso que a frase:


“Todas as mulheres deveriam fazer THS”
é tão problemática quanto:
“Nenhuma mulher deveria fazer THS.”

Nenhuma destas frases consegue conhecer a mulher que está sentada à nossa frente.


4. Preciso de estrogénio, progesterona — ou ambos?


Aqui é importante perceber que “THS” não é uma coisa única.


Existem diferentes hormonas, combinações, doses, vias de administração e regimes.

De uma forma muito simplificada:


o estrogénio é a principal hormona utilizada para tratar muitos dos sintomas associados à deficiência estrogénica durante a transição.

Quando uma mulher tem útero e utiliza estrogénio sistémico, é habitualmente necessário associar um progestagénio para proteger o endométrio.


Mas a escolha concreta — incluindo qual o progestagénio, em que dose, com que regime e durante quanto tempo — é uma decisão clínica individual.

E existe ainda uma diferença importante entre terapia hormonal sistémica e estrogénio vaginal de baixa dose.

Este último é utilizado sobretudo para sintomas geniturinários e, por ser administrado localmente e em doses baixas, tem uma exposição sistémica muito menor.


Por isso, quando alguém diz simplesmente:

“Estou a fazer estrogénio”
a pergunta seguinte deveria ser:
“Que estrogénio? Em que dose? Por que via? E com que objetivo?”

5. A forma como a hormona é administrada importa?

Sim.

E esta é uma das partes que muitas vezes fica perdida numa conversa demasiado simplificada sobre THS.

O estrogénio pode ser administrado por diferentes vias, incluindo comprimidos, adesivos, géis ou sprays.


A via transdérmica — como adesivo, gel ou spray — evita o primeiro metabolismo hepático associado à administração oral e, de acordo com a evidência e recomendações atuais, pode ter vantagens relativamente ao risco trombótico em determinadas mulheres.

Isto não significa que exista uma via universalmente “melhor”.


Significa que a via também faz parte da decisão.

Tal como a dose.

Tal como o tipo de hormona.

Tal como o perfil de risco da mulher.

6. Quais são os benefícios e quais são os riscos — no meu caso?

Esta talvez seja a pergunta mais importante de todas.

Porque benefícios e riscos não existem no vazio.


Existem para uma determinada mulher, num determinado momento, com uma determinada história clínica e um determinado tratamento.


A THS pode reduzir significativamente sintomas vasomotores e contribuir para a saúde óssea, entre outros benefícios. Mas também existem riscos potenciais, que variam conforme o tipo de hormona, a via, a combinação utilizada, a idade, o momento de início e os fatores de risco individuais.


É também importante não transportar para 2026 uma leitura simplificada do estudo Women's Health Initiative de 2002.


O WHI foi fundamental para a nossa compreensão dos benefícios e riscos da terapia hormonal, mas a interpretação atual é muito mais sofisticada do que a mensagem que durante anos ficou no imaginário coletivo de que “THS causa cancro”.


Hoje sabemos que os resultados dependem de vários fatores, incluindo o tipo de terapia, a combinação hormonal, a idade e o momento em que o tratamento é iniciado.

É precisamente por isso que a decisão deve ser individualizada e revista regularmente.


Não precisamos de medo. Precisamos de contexto.

7. Como vamos saber se está a resultar?

Outra pergunta que vale ouro:


“Como vamos avaliar se este tratamento está a funcionar para mim?”


Porque iniciar THS não deve significar simplesmente começar e desaparecer da consulta.

Os sintomas, a resposta ao tratamento, os efeitos adversos e as necessidades da mulher podem mudar.


Pode ser necessário ajustar:

  • dose;

  • via;

  • combinação;

  • regime;

  • ou até reconsiderar se aquele tratamento continua a fazer sentido.


Algumas mulheres percebem melhoria relativamente cedo em determinados sintomas; outras precisam de mais tempo e de ajustes.

E não devemos confundir:

“ainda não estou a sentir uma transformação completa”

com

“não está a funcionar”.


É uma curva, não um interruptor.


A própria The Menopause Society salienta que pode existir um período de tentativa e ajuste até encontrar a dose e o regime mais adequados, com reavaliação à medida que as necessidades mudam.

Por isso, pergunta:

“Quando voltamos a avaliar? O que devemos esperar? E em que circunstâncias devemos ajustar?”


8. E se a THS não for a minha opção?

Esta pergunta é tão importante como todas as anteriores.


Porque falar de THS não significa falar de uma única porta.

Existem opções não hormonais para determinados sintomas, intervenções comportamentais e terapêuticas específicas para diferentes manifestações da menopausa.

E existe também o tratamento local de baixa dose para sintomas geniturinários, que é uma realidade diferente da terapia hormonal sistémica.

Portanto, se a THS não for adequada para ti, isso não significa:
“não há nada a fazer.”
Significa:
“vamos perceber que outras ferramentas existem.”

E onde ficam as fundações RITMO?

Aqui está uma distinção que considero fundamental.

THS não substitui as fundações.


Sono continua a ser importante.

Alimentação continua a ser importante.

Proteína, fibra e diversidade alimentar continuam a ser importantes.

Massa muscular continua a ser importante.

Movimento continua a ser importante.

Saúde metabólica, intestino, gestão do stress, relações, descanso e recuperação continuam a fazer parte da equação.

A própria abordagem das sociedades de referência enquadra a saúde da mulher na menopausa de forma holística e individualizada, incluindo estilo de vida e alimentação juntamente com a discussão sobre tratamento hormonal.



E talvez seja aqui que esteja uma das maiores confusões atuais:


uma ferramenta não precisa de substituir todas as outras.

Para algumas mulheres, a THS poderá fazer parte do caminho.

Para outras, não.

Para outras ainda, poderá coexistir com todas as outras estratégias que sustentam a sua saúde.

Não precisamos de escolher entre “natural” e “clínico” como se fossem campos opostos.

Precisamos de perceber o que cada ferramenta pode — e não pode — fazer.


A pergunta que fica

Depois de tudo isto, talvez a pergunta mais interessante já não seja:


“Devo fazer THS?”

Talvez seja:

“O que é que o meu corpo precisa, neste momento?”

E depois:

“Que opções tenho?”

“Quais são os benefícios e os riscos para mim?”

“O que sabemos?”

“O que ainda não sabemos?”

“E como vamos acompanhar esta decisão?”



É aqui que entra a verdadeira literacia em saúde.


Não significa sabermos prescrever.

Não significa substituirmos o médico.

E não significa chegarmos à consulta com uma decisão tomada porque vimos um vídeo nas redes sociais.


Significa chegarmos preparadas para participar na conversa.


Porque uma mulher informada não é uma mulher que sabe todas as respostas.

É uma mulher que sabe quais são as perguntas certas.


RITMO é também isto

Os primeiros episódios da 1a Temporada do PODCAST RITMO - perimenopausa o quadro completo, foram sobre compreender o terreno.


Falámos sobre a perimenopausa, as alterações hormonais, o metabolismo, o sono, o sistema nervoso, a inflamação, a pele, o autocuidado e as fundações que sustentam o corpo nesta fase.

Agora damos um passo diferente.

Entramos no território das decisões.


E aqui quero que o RITMO seja muito claro:

não estamos aqui para dizer-te o que fazer.


Estamos aqui para te ajudar a compreender melhor.

Para que possas conversar melhor.

Para que possas questionar melhor.

Para que possas decidir melhor.


Porque a melhor decisão não é a que alguém tomou por ti.


É aquela que consegues compreender, discutir e rever à luz do teu próprio corpo e da melhor evidência disponível.

E talvez seja essa uma das formas mais bonitas de cuidar de nós mesmas:

não entregar a decisão a ninguém — mas também não ter de a tomar sozinha.


Segue no INSTAGRAM @teresa_radamanto e no SPOTIFY .

 
 
 

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