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5 ferramentas para cuidar de ti na perimenopausa

23 de set.
4 min de leitura


Um guia prático de autocuidado, recuperação e resiliência


Quando falamos em autocuidado, pensamos muitas vezes em coisas que fazemos quando sobra tempo: uma rotina de skincare, um banho demorado, um chá, um momento de descanso.

Mas, na perimenopausa, o autocuidado pode ser muito mais do que isso.


É aprender a perceber o que o corpo está a pedir e criar, de forma consistente, condições para ele funcionar, recuperar e adaptar-se a esta fase da vida.

Não precisamos de fazer tudo.

Precisamos de encontrar pequenos pontos de apoio que consigamos repetir.




Por isso, deixo-te cinco ferramentas simples para começares.

1. Observa antes de corrigir

O primeiro passo do autocuidado é aprender a ouvir.

O sono mudou?A energia já não é a mesma?A digestão está diferente?O cabelo ou a pele começaram a dar sinais?O teu corpo está a responder de outra forma ao stress?

Antes de procurares imediatamente uma solução, experimenta observar.

Pergunta-te:

O que está a mudar? Quando acontece? Existe um padrão? O que estava a acontecer na minha vida nessa altura?

Nem tudo é “hormonal” e nem tudo é sinal de que alguma coisa está errada.

Mas os sinais do corpo merecem atenção.

Observar não significa ficar obcecada com cada sintoma. Significa começar a conhecer melhor o teu próprio padrão.

E isso é também uma forma de literacia em saúde: quanto melhor compreendes o teu corpo, mais preparada estás para fazer perguntas, tomar decisões e procurar ajuda quando necessário.


2. Cria um ritual de início do dia

O teu dia começa antes de começares a responder ao mundo.

Sempre que possível, procura ter alguns minutos para ti logo de manhã.

Abre a janela.Sai para a rua.Apanha luz natural.Respira.Move o corpo.

Não precisa de ser uma rotina elaborada.

A luz natural da manhã é um dos sinais mais importantes para o nosso relógio biológico e ajuda a organizar os ritmos de alerta e de descanso ao longo do dia.

E há algo particularmente interessante nesta ferramenta:

é simples, gratuita e está disponível todos os dias.


3. Cria um ritual de final do dia

Da mesma forma que o dia precisa de começar, também precisa de terminar.

O sono não começa no momento em que deitamos a cabeça na almofada.

Começa na transição entre o ritmo de atividade e o ritmo de recuperação.

Podes criar um pequeno ritual que sinalize ao teu corpo que o dia está a terminar:

  • baixar as luzes;

  • reduzir ecrãs e estímulos;

  • tomar um banho quente;

  • beber um chá;

  • fazer alguns alongamentos;

  • ler;

  • escrever;

  • ficar alguns minutos em silêncio.


Não precisas de fazer tudo.

Escolhe aquilo que funciona para ti.

O mais importante é a regularidade e a previsibilidade.

O objetivo não é cumprir uma checklist de autocuidado.

É ajudar o sistema nervoso a perceber:

agora podemos abrandar.


4. Cria espaços de recuperação durante o dia

Esta talvez seja uma das ferramentas mais importantes — e uma das mais esquecidas.

Se esperarmos pela hora de dormir para recuperar, podemos estar a pedir demasiado ao organismo.

A recuperação também acontece durante o dia.

Pode ser uma pausa verdadeira.

Uma caminhada.

Alguns minutos sem ecrãs.

Uma refeição feita com tempo.

Movimento adequado.

Um momento em que não estás a produzir, responder, resolver ou cuidar de outra pessoa.

E aqui vale a pena recordar uma coisa que falámos no episódio anterior:

o cortisol não é o inimigo.

Precisamos dele.

O objetivo não é passar o dia a tentar “baixar o cortisol”.

É ajudar o organismo a recuperar depois dos momentos de ativação.

Porque resiliência não é aguentar cada vez mais.

Resiliência é ter capacidade para voltar ao equilíbrio.


5. Transforma autocuidado em prática — não em projeto

Esta é talvez a ferramenta que reúne todas as outras.

Não precisas de reinventar a tua vida.

Nem de começar uma rotina perfeita na próxima segunda-feira.

Escolhe pequenas coisas que façam sentido para ti e que consigas repetir.

Talvez seja sair à luz natural de manhã.

Talvez seja proteger o teu ritual de final do dia.

Talvez seja fazer uma pausa verdadeira durante a tarde.

Talvez seja voltar a prestar atenção à forma como estás a comer, a dormir ou a mexer o corpo.

Talvez seja simplesmente parar durante alguns minutos e perguntar:

“Como estou?
“Do que preciso?”

Autocuidado não é fazer tudo certo.

É criar uma relação mais consciente com aquilo de que precisas.

E isso implica também aceitar que haverá dias em que não vais conseguir fazer nada disto.

Está tudo bem.

O objetivo não é perfeição.

É consistência possível.

E se começares por apenas uma coisa?

Não tentes implementar as cinco ferramentas amanhã.

Escolhe uma.

Experimenta.

Observa.

Ajusta.

E, quando essa prática começar a fazer parte do teu ritmo, acrescenta outra.

Porque cuidar de ti não é uma tarefa que tens de riscar da lista.

É uma relação que vais construindo.

E talvez seja essa a melhor definição de resiliência:

não exigir ao corpo que aguente tudo, mas criar condições para que ele consiga recuperar.


E chegámos ao fim desta temporada

Este artigo encerra a temporada de “Perimenopausa — o quadro completo”.


Ao longo destas semanas fomos olhando para esta fase da vida da mulher a partir de diferentes ângulos: hormonas, metabolismo, intestino, cabelo, pele, sono, recuperação, sistema nervoso e, finalmente, autocuidado e resiliência.


Não para criar uma lista interminável de coisas para corrigir.

Mas para construir uma visão mais completa do que está a acontecer no corpo feminino nesta fase.


O podcast Ritmo também irá fazer uma pausa...por agora.

Voltamos em novembro, com novas conversas e novos temas.


Mas o RITMO não pára.

Outubro traz uma nova fase de educação para a saúde feminina, com novos temas e uma nova forma de olhar para aquilo que significa viver com mais consciência, autonomia e ritmo.


E, a partir do final do mês, abrimos também uma nova janela no RITMO:

um artigo especial todas as sextas-feiras aqui no BLOGUE dedicado ao universo do autismo.

Casa, alimentação, escola, terapias, legislação, direitos, autonomia, família e tantas outras questões que fazem parte da vida real.


Porque educar para a saúde também é isto:

dar às pessoas conhecimento para compreenderem melhor a sua realidade e ferramentas para poderem participar mais ativamente nas decisões que lhes dizem respeito.


Hoje deixo-te esta pergunta:

O que podes começar a fazer por ti — não amanhã, não quando tiveres tempo, mas dentro da vida que tens hoje?

Começa pequeno.

Observa.

Ajusta.

E encontra o teu ritmo.


 
 
 

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