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Cabelo e Pele: Guia prático de autocuidado de dentro para fora.

9 de set.
8 min de leitura

Cabelo e pele na perimenopausa

Há uma coisa curiosa que acontece durante a perimenopausa: começamos a olhar para o espelho e sentimos que algumas coisas mudaram.


O cabelo parece diferente.A pele já não reage da mesma forma.Os produtos que funcionaram durante anos parecem deixar de funcionar. E, por vezes, temos a sensação de que o nosso corpo decidiu mudar as regras sem nos avisar. Mas há uma explicação.

A perimenopausa é uma fase de profunda adaptação biológica e as alterações hormonais podem refletir-se em vários tecidos do organismo — incluindo o cabelo e a pele.

Por isso, antes de procurar mais um produto, talvez valha a pena fazer uma pergunta diferente:

O que é que o meu corpo está a tentar dizer-me?


Porque, no RITMO, não queremos olhar para estes sinais como defeitos que precisam de ser corrigidos.

Queremos aprender a escutá-los.

O cabelo é o mensageiro

Durante a perimenopausa, algumas mulheres começam a notar mais queda, fios mais finos, menos volume, alterações na textura ou um crescimento que parece mais lento.

E a primeira reação costuma ser procurar um novo champô, um suplemento ou um tratamento para o cabelo.

Mas o cabelo pode estar a contar uma história que começa muito antes do fio que vemos no espelho.

O crescimento e a manutenção do cabelo dependem de vários fatores: alterações hormonais, disponibilidade de nutrientes, saúde do couro cabeludo, stress, sono, inflamação e estado geral do organismo.

É também importante lembrar que o organismo não considera o cabelo uma prioridade vital.

Quando existem períodos de stress fisiológico, défices nutricionais ou outras alterações importantes, os recursos do corpo são direcionados primeiro para aquilo que é essencial à sobrevivência.

O cabelo fica mais abaixo nessa lista.

Por isso, uma alteração no cabelo pode ser um bom motivo para olhar para o contexto mais amplo.

Começa pela alimentação

Não existe um alimento mágico para fazer crescer cabelo.

O que existe é uma alimentação suficientemente nutritiva, variada e consistente.

Alguns alimentos podem contribuir para fornecer nutrientes importantes neste contexto:

Sementes de abóbora

São uma boa fonte de zinco e fornecem também proteínas e gorduras insaturadas.

Sementes de girassol

Fornecem vitamina E, gorduras insaturadas e outros micronutrientes que fazem parte de uma alimentação nutricionalmente interessante.

Vegetais de folha verde

Espinafres, couves e outros vegetais verdes fornecem folato, vitamina C, carotenoides e vários minerais.

Batata-doce e inhame

Fornecem hidratos de carbono e carotenoides, contribuindo para uma alimentação variada e nutricionalmente densa.

Gengibre fresco

Pode fazer parte de uma alimentação anti-inflamatória e acrescentar compostos bioativos interessantes às refeições.

Ghee

Pode ser utilizado em pequenas quantidades como fonte de gordura, dentro de uma alimentação equilibrada. Não é, por si só, um tratamento para a queda de cabelo.

E esta distinção é importante.

Não precisamos de transformar um alimento num “superalimento”.

Precisamos de olhar para o padrão alimentar.

Porque o cabelo responde muito mais à consistência do que à perfeição.


E os nutrientes?

Quando existe queda de cabelo significativa, persistente ou inexplicada, não devemos assumir automaticamente que a causa são as hormonas.


Dependendo do contexto, pode ser relevante avaliar possíveis défices ou alterações nutricionais, nomeadamente ferro, zinco, vitamina B12, folato, vitamina D ou ingestão proteica.Isto não significa que todas as mulheres devam começar a tomar suplementos.

Significa precisamente o contrário:

primeiro perceber o que está a acontecer; depois decidir o que faz sentido.

Uma suplementação indiscriminada pode não resolver a causa e, em alguns casos, o excesso de determinados nutrientes pode ser prejudicial.


Se a queda for intensa, surgir de forma repentina, houver zonas de rarefação bem definidas ou outros sintomas associados, vale a pena procurar avaliação clínica.

O cabelo pode ser o mensageiro — mas precisamos de saber interpretar a mensagem.


E o couro cabeludo?

Também aqui, os cuidados básicos contam.

Evitar manipulação excessivamente agressiva, não escovar o cabelo de forma brusca quando está molhado, ter atenção ao calor excessivo e manter uma higiene adequada do couro cabeludo são pequenas decisões que podem fazer parte de uma estratégia de cuidado.

Não precisamos de transformar o cabelo num projeto.

Precisamos de deixar de o tratar apenas como uma questão estética.


O cabelo é o mensageiro. E talvez a pergunta não seja apenas: “Que produto devo usar?”
Mas também:“Como tenho dormido? Como tenho comido? Como está o meu stress? Estou a ingerir proteína suficiente? O meu corpo está a receber aquilo de que precisa?”

A pele conta a história

Se o cabelo pode ser um mensageiro, a pele é muitas vezes ainda mais evidente.


Durante anos podemos ter usado os mesmos produtos, seguido a mesma rotina e sentido que conhecíamos perfeitamente a nossa pele.

E, de repente, tudo parece diferente.

Mais seca.Mais sensível.Mais reativa.Mais fina.Com mais manchas.Com novas rugas.Ou até com borbulhas que não víamos desde a adolescência.

Não estás necessariamente a fazer alguma coisa errada.


O contexto biológico mudou.

Durante a perimenopausa, as alterações nas hormonas sexuais podem influenciar várias funções da pele. Estrogénio, progesterona, testosterona e cortisol participam, de diferentes formas, na regulação da hidratação, produção de sebo, função da barreira cutânea, transpiração, colagénio, pigmentação e resposta inflamatória.

Por isso, quando o equilíbrio hormonal muda, a pele pode mudar também.

E é importante não olhar apenas para um valor hormonal isolado.

Mais importante do que um número é compreender o contexto e a forma como estas alterações estão a acontecer ao longo do tempo.

O que pode estar a acontecer à pele?

A partir da idade adulta, a produção de colagénio começa gradualmente a diminuir. Com a transição para a menopausa, a redução do estrogénio pode acelerar algumas destas alterações.


A pele pode perder parte da sua capacidade de manter hidratação e suporte estrutural.

Podemos notar:

  • mais secura;

  • perda de luminosidade;

  • menor firmeza;

  • maior sensibilidade;

  • alterações da textura;

  • maior tendência para manchas;

  • aparecimento de linhas e rugas;

  • alterações na produção de sebo.


E existe ainda outro fenómeno.

Quando o estrogénio diminui, a influência relativa dos androgénios pode tornar-se mais evidente.

Não significa necessariamente que exista mais testosterona.

Significa que o equilíbrio hormonal mudou.

Em algumas mulheres, isso pode contribuir para oleosidade localizada e acne hormonal na idade adulta.

E o stress também pode entrar nesta equação.

O cortisol participa na resposta ao stress e pode influenciar processos inflamatórios e a produção de sebo.

Mais uma vez, não existe uma única causa.Existe um sistema.

Então, o que fazemos?

Aqui está a parte mais importante deste guia.

Não precisamos de comprar tudo.

Precisamos de perceber aquilo que a nossa pele está a pedir.


1. Se a pele está seca, desconfortável ou sensível: reforça a barreira

Procura uma rotina que ajude a preservar e restaurar a função de barreira.

Alguns ingredientes interessantes:

  • ceramidas;

  • colesterol;

  • ácidos gordos;

  • glicerina;

  • esqualano.

A glicerina ajuda a atrair e reter água.

O esqualano é um lípido compatível com a pele e pode ajudar a melhorar a sensação de conforto.

E as ceramidas, o colesterol e os ácidos gordos fazem parte da estrutura lipídica fundamental da barreira cutânea.

Nesta fase, uma boa hidratação não é um luxo.

É parte da estratégia.


2. Se o problema são manchas e falta de uniformidade: protege primeiro

Existem vários ingredientes que podem ajudar a melhorar a aparência da hiperpigmentação, como:

  • vitamina C;

  • alfa-arbutina;

  • ácido kójico.


Mas existe um passo que continua a ser absolutamente fundamental:

protetor solar diário.

Não é o produto mais glamoroso da rotina.

Mas é provavelmente um dos mais importantes.

A exposição à radiação ultravioleta contribui para o fotoenvelhecimento e pode agravar alterações de pigmentação.

Por isso, não faz muito sentido investir numa rotina sofisticada de tratamento da pigmentação e negligenciar a proteção solar.O SPF não é o acabamento da rotina. É uma das suas fundações.

3. Se a pele está mais reativa: acalma antes de estimular

Quando a barreira está fragilizada, existe uma tentação muito comum:

fazer mais.

Mais ácidos.Mais esfoliação.Mais ativos.Mais máscaras.Mais tratamentos.

Mas uma pele sensibilizada pode precisar exatamente do contrário.


Alguns ingredientes interessantes para apoiar uma rotina mais calmante incluem:

  • Centella asiatica;

  • pantenol;

  • aveia coloidal.


E aqui chegamos a uma das ideias mais importantes:

mais skincare não significa melhor skincare.


Antes de acrescentares mais um produto, pergunta:

A minha pele precisa realmente de mais estímulo?

Ou estará simplesmente a pedir:

proteção, hidratação e equilíbrio?


4. Se surgiram borbulhas: não ataques a pele

A acne adulta pode ter uma componente hormonal, mas isso não significa que devamos secar ou agredir a pele.


Alguns ingredientes que podem ser úteis neste contexto incluem:

  • ácido azelaico;

  • zinco PCA.

O objetivo não é eliminar toda a oleosidade.


É encontrar equilíbrio.

Uma pele saudável não precisa de estar completamente “seca” para estar limpa.

E os cremes hormonais para a pele?

Este é um tema que merece alguma cautela.

Existem atualmente produtos e abordagens que exploram a utilização de hormonas ou derivados hormonais no contexto da pele e existem áreas de investigação interessantes.

Mas é importante distinguir entre aquilo que é promissor e aquilo que já tem evidência clínica robusta.


No caso da terapêutica hormonal tópica, a evidência mais sólida está associada a utilizações específicas, nomeadamente vaginais, e não à utilização de cremes hormonais no rosto.

Por isso, estes produtos não devem ser apresentados como uma solução universal para a pele durante a perimenopausa.


No meu próprio caso, experimentei um creme tópico de progesterona e não notei uma melhoria significativa. Pelo contrário, desenvolvi uma reação de sensibilidade.

E isso ensinou-me uma coisa que vale a pena repetir:

aquilo que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra.

Se existirem alterações cutâneas importantes e estiveres a considerar uma abordagem hormonal, a decisão deve ser individualizada e enquadrada clinicamente.


Nem tudo o que é novo é necessariamente melhor.

E nem tudo o que parece promissor é adequado para todas as mulheres.

Às vezes, cuidar melhor significa fazer menos

Talvez esta seja uma das maiores mudanças de mentalidade que podemos fazer nesta fase.

Se a pele está mais seca e sensível, não precisamos necessariamente de aumentar a intensidade da rotina.


Se aparecem manchas, não precisamos de utilizar todos os ativos disponíveis.

Se surgem rugas, não precisamos de atacar a pele todos os dias.

E se aparecem borbulhas, não precisamos de a deixar sem oleosidade nenhuma.


Precisamos de perceber o que mudou.E adaptar.Uma rotina simples pode ser muito mais eficaz do que uma rotina interminável que a pele não tolera.Nem tudo o que é novo é melhor.

E, sobretudo:

consistência quase sempre vence excesso.

Cabelo e pele começam muito antes do espelho

É fácil pensar no cabelo e na pele como dois assuntos puramente estéticos.

Mas ambos estão ligados ao contexto em que o organismo está a funcionar.


Alimentação.Proteína.Micronutrientes.Sono.Stress.Movimento.Saúde metabólica.Saúde intestinal.Proteção solar.Rotinas de cuidado.


Não significa que uma alimentação perfeita vá eliminar rugas ou resolver toda a queda de cabelo.

E também não significa que um creme não tenha importância.


Significa que precisamos de deixar de procurar uma única solução para um sistema complexo.

O cuidado de dentro para fora não substitui a dermatologia, a ginecologia ou outros cuidados médicos quando são necessários.


E o cuidado médico também não elimina a importância dos hábitos diários.

As duas coisas podem coexistir.

O essencial, nesta fase

Se quisermos simplificar tudo isto, podemos voltar a quatro ideias.Para o cabelo:Nutrir.Observar.Cuidar.Investigar quando necessário.Para a pele:Proteger.Hidratar.Adaptar.Estimular apenas quando fizer sentido.E para ambos:consistência antes de perfeição.Porque não existe alimento milagroso.

Não existe suplemento capaz de substituir uma alimentação adequada.

Não existe sérum capaz de substituir sono e recuperação.

Não existe creme capaz de substituir proteção solar.

E não existe tratamento capaz de substituir consistência.


O verdadeiro autocuidado

Talvez o autocuidado nesta fase da vida não seja acrescentar mais uma coisa à nossa lista.

Talvez seja aprender a prestar atenção.

A queda do cabelo pode ser um convite para olhar para dentro.

A pele mais sensível pode ser um convite para abrandar.


A acne pode ser um convite para perceber que a pele mudou.

A secura pode ser um convite para reforçar a barreira em vez de a atacar.

E os sintomas, em vez de serem defeitos que precisamos de combater, podem tornar-se informação.

Porque o corpo não está contra nós.

Está a adaptar-se.


O cabelo é o mensageiro.A pele conta a história.

E o nosso papel não é lutar contra aquilo que mudou.

É aprender a compreender o novo corpo que temos — e cuidar dele de acordo com aquilo que ele nos está a pedir.


É isso que significa, para mim, autocuidado no RITMO:não fazer mais.

Fazer melhor. E fazer com consciência.


 
 
 

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